Alexandre Vannucchi Leme

Alexandre Vannucchi Leme era estudante de Geologia da Universidade de São Paulo (USP), primeiro colocado no vestibular, e militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), quando foi assassinado. Conhecido pelos amigos pelo apelido de “Minhoca”, o jovem estava tentando reorganizar o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, o que era ilegal na época. Tinha apenas 22 anos quando foi preso pelo DOI-Codi, em São Paulo, em 1973.

No dia seguinte à prisão, após ter sido submetido a sessões de tortura, foi encontrado morto numa das celas desse órgão da repressão. O Estado brasileiro divulgou duas versões para a morte de Vannucchi: que ele teria sido atropelado por um caminhão, e que teria se jogado na frente do veículo, numa atitude suicida. Em seu atestado de óbito, consta que ele morreu em decorrência de “lesão traumática crânio-encefálica”, decorrente do suposto atropelamento.

Dois dias depois que sua morte se tornou pública, seus pais souberam que o filho tinha sido sepultado como indigente no Cemitério de Perus, em São Paulo, numa cova comum. O corpo do jovem tinha sido coberto de cal para esconder as marcas das torturas que ele havia sofrido.

Sua morte teve uma grande repercussão, não apenas entre seus colegas, como também em toda a sociedade brasileira. O Conselho de Centros Acadêmicos declarou luto na USP e os alunos pressionaram o reitor Miguel Reale para que interviesse no caso. Ele solicitou informações sobre a morte de Alexandre, enviando um ofício à Secretaria de Segurança Pública do Estado. A resposta concedida não alterou em nada as informações que tinham sido divulgadas na imprensa, apenas reiterou a versão do atropelamento.

Cerca de 5 mil pessoas foram à missa celebrada em sua intenção na Catedral da Sé, pelo arcebispo de São Paulo Dom Paulo Evaristo Arns, no dia 30 de março de 1973, entre estudantes, artistas, autoridades, sindicatos e militantes contra a ditadura.

Foi justamente o sentimento de revolta contra o brutal assassinato do colega, somado à prisão de 44 alunos da USP, o que impulsionou o ressurgimento do movimento estudantil brasileiro. O cantor e compositor Gilberto Gil, chamado para denunciar essas prisões, fez um show na Escola Politécnica da USP, em que falou sobre política, movimento estudantil, arte engajada, imperialismo estadunidense, entre outros assuntos. O show, que devia durar apenas meia hora, teve mais de três horas, um gesto de desobediência civil, num dos momentos mais tensos da ditadura militar.

Em março de 1976, o DCE-Livre da USP finalmente foi criado, em assembleia, e batizado com o nome de Alexandre Vannucchi Leme.

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