Memórias da Ditadura

Henfil

Henrique de Sousa Filho, mais conhecido como Henfil, foi desenhista, jornalista e escritor. Ficou célebre por desenhos com forte teor político-social. Foi embalador de queijos, boy de agência de publicidade e jornalista, até se especializar, no início da década de 1960, em ilustração e produção de histórias em quadrinhos.

O início de sua carreira de cartunista e quadrinista foi na Revista Alterosa, de Belo Horizonte, onde nasceram seus personagens mais famosos, “Os Fradinhos”. Em 1965, começou a fazer caricatura política para o Diário de Minas. Foi um dos grandes representantes da resistência à ditadura e colaborou com o semanário O Pasquim, um dos ícones do combate ao regime militar por meio da sátira e do humor.

Em 1970, lançou a revista Os Fradinhos, com sua marca registrada: um desenho humorístico, crítico e satírico, com personagens tipicamente brasileiros e que retratavam as situações da época. Entre seus personagens mais famosos estão os fradinhos Cumprido e Baixim, a Graúna (que criticava a forma como os políticos tratavam a questão da seca no Nordeste), e Ubaldo, o paranoico (que temia a volta da ditadura, mesmo depois de seu fim). Ao criar personagens típicos brasileiros, foi responsável pela renovação do desenho humorístico nacional, assumindo o projeto de “descolonização”, num momento em que as HQs nacionais tinham seu desenvolvimento sufocado pela distribuição dos quadrinhos norte-americanos pelo mundo inteiro.

Henfil teve uma atuação marcante nos movimentos políticos e sociais do país, lutando contra a ditadura, pela democratização do país, pela anistia aos presos políticos, e pelas Diretas Já.

Era irmão do sociólogo Herbert de Sousa (1935-1997), o Betinho, e do compositor e violonista Francisco Mário (1948-1988). Os três irmãos eram hemofílicos e morreram após contraírem o vírus da aids em transfusões de sangue.

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frases

  • “Morro, mas meu desenho fica”.

    “Enquanto acreditarmos no nosso sonho, nada é por acaso”.

    “Viver é uma tarefa urgente, porque amanhã é uma coisa que não dá pra pensar, não dá pra fazer planos, hoje é urgente, amanhã é a morte, ontem, graças a Deus, teve ontem!”

    “Há um radar coletivo que os pobres têm, e que os ricos não têm, tanto que estão levando o mundo para a própria destruição deles: a classe rica vai ser destruída pela próxima movimentação da Terra. Eles perderam o faro, perderam a sensibilidade porque a morte para eles é uma coisa que não existe.”

    “É preciso a certeza de que tudo vai mudar;
    É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós:
    onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão.
    O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração;
    Pois a vida está nos olhos de quem sabe ver…
    Se não houve frutos, valeu a beleza das flores.
    Se não houve flores, valeu a sombra das folhas.
    Se não houve folhas, valeu a intenção da semente.”

    Fonte: Livro “O rebelde do traço”, de Denis de Moraes

  • “Já havia me encontrado com o Henfil, se não me engano em um Salão do Humor de Piracicaba. Mas, em 1975, quando preparávamos um trabalho onde vários cartunistas desenhariam pombas, tive um contato mais próximo. Ele me ajudou demais com a turma d’O Pasquim, que era o epicentro do que era produzido no Brasil”, Laerte Coutinho, cartunista.

    “Henfil me embalou. Me fez pensar criticamente quando eu ainda era jovem. Seu traço é incrível. Toda a minha admiração.”, Lourenço Mutarelli, quadrinista e escritor.

    “Henfil foi um gênio, que combinou um traço extremamente original, inconfundível, com um humor implacável, frequentemente negro, não deixando pedra sobre pedra da hipocrisia moral, política e social que cimenta nossa sociedade.”, José Geraldo Couto, jornalista.

    http://www.otempo.com.br/divers%C3%A3o/magazine/com-henfil-hq-nunca-foi-t%C3%A3o-brasileira-1.782412

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