Memórias da Ditadura

Olavo Hanssen

Olavo Hanssen foi o primeiro operário morto, sob tortura, nas dependências do Deops de São Paulo. Militante do Partido Operário Revolucionário Trotskista (Port), trabalhava em uma indústria química em Santo André. Foi detido, com mais 18 pessoas, próximo ao estádio da Vila Maria Zélia, no bairro do Belenzinho, em São Paulo, no dia 1º de maio de 1970, quando distribuía panfletos durante a comemoração do Dia do Trabalho. Após dias de tortura, sem que recebesse assistência médica efetiva, veio a falecer, aos 32 anos, no dia 8 de maio.

Cinco dias depois, sua família foi avisada pela polícia de que ele teria se suicidado no dia 9 e de que seu corpo havia sido encontrado em um terreno baldio no bairro do Ipiranga. Para respaldar o suposto suicídio por envenenamento, chegaram a lhe injetar o inseticida Paration, no Hospital do Exército, no bairro do Cambuci, para onde havia sido levado, já em coma, sem a mínima chance de sobrevivência.

Segundo o jornalista Elio Gaspari, seu assassinato foi um primeiro “embaraço” ao governo Médici, que buscava negar a existência de tortura em suas prisões. Seu caso obteve a primeira condenação do Estado brasileiro pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Também foi feita uma queixa junto à Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Hanssen, que usava o codinome “Alfredo” e tinha o apelido de “Totó”, ingressou no Port em 1961. Após seu partido ter decidido pela proletarização de seus quadros, abandonou o segundo ano do curso de Engenharia de Minas da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e começou a trabalhar na Massari S.A., uma fábrica de carrocerias no bairro de Vila Maria, em São Paulo. Foi ainda membro da União Nacional dos Estudantes (UNE) e filiado ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.

Em 29 de fevereiro de 1996, reconheceu-se a responsabilidade do Estado brasileiro pela morte de Olavo Hanssen, no caso 82/96 da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP). O relator do caso, general Oswaldo Pereira Gomes, destacou que “[…] é inaceitável a versão de suicídio e encontro do cadáver em via pública”. Em Mauá, cidade para onde havia mudado com sua família em 1954, há uma escola estadual com o seu nome.

Olavo Hanssen – Projeto de Biografias, produzidas pela Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva e da TV ALESP.

Ato em homenagem a Olavo Hanssen – 25/05/2013

Justiça para Olavo Hanssen – Ato realizado dia 25 de maio de 2013, na Vila Maria Zélia, pedindo justiça aos crimes cometidos durante a ditadura militar.

Dulce Muniz, militante presa junto com Olavo Hanssen

Memória Olavo Hanssen, vídeo realizado por alunos da escola que leva o seu nome.

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frases

  • “Toda a desgraça que você pode imaginar, de aviltamento que um ser humano possa fazer a outro foi feito ao Olavo. Mas ele manteve sempre a cabeça dele erguida e é essa lembrança que eu tenho dele: de um homem bom, de um jovem bom. Eu tinha 22 anos, ele tinha 32 e para nós ele parecia mais velho. (...) Preocupado com os meninos que éramos nós. Ele tentou nos proteger de todas as formas. Quando eu subia e descia para dar depoimento ele fazia questão de vir até a portinhola da porta da cela para falar comigo. Ele falava sempre: 'E aí, companheirinha, tudo bem?'. Eu falava: 'Tudo bem, Olavo. Eu consegui me sair bem. Até a última vez que ele não pôde caminhar sozinho, foi carregado pelos companheiros até à porta e me perguntou mais uma vez: 'E aí, companheirinha, tudo bem?’. E aí foi a última vez que eu vi o Olavo.”, Dulce Muniz, militante do Port, presa junto com Olavo Hanssen em 1970, em entrevista no dia do ato em sua homenagem, 25 de maio de 2013.

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