Memórias da Ditadura

Osvaldão

Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, era esportista, engenheiro, oficial da reserva do Exército e membro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), organização por meio da qual embarcou na luta armada. Foi um dos primeiros participantes da Guerrilha do Araguaia, na região do Bico do Papagaio, próxima da fronteira entre o Pará e o Tocantins, local onde foi visto com vida pela última vez. Segundo registros oficiais, é dado como morto, embora seus restos mortais nunca tenham sido encontrados.

Ainda antes do golpe, na década de 1950, Osvaldão foi campeão de boxe amador, no Rio de Janeiro, e se tornou oficial de reserva do Exército brasileiro após cursar o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR). Nunca, porém, chegou a servir às Forças Armadas. Pelo contrário. Mais tarde, iria à Tchecoslováquia, aliada da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), para se formar engenheiro na Universidade de Praga.

Próximo ao término de seu curso, retornou ao Brasil. Entre 1966 e 1967, rumou ao Araguaia, onde seria responsável pela criação da guerrilha de resistência à ditadura. Instalou-se e fez amizade com a maioria dos camponeses, garimpeiros e ribeirinhos. Ninguém conhecia a área tão bem quanto Osvaldão. Era muito querido e respeitado pela população e também por seus companheiros de militância. Dizia-se que era uma figura inconfundível: forte, negro, com quase dois metros de altura. Tornou-se uma lenda local, por suas habilidades, capacidade de liderança e espírito meigo e afetuoso.

Liderou diversas incursões da guerrilha contra o Exército. Acreditava-se que jamais seria pego ou morto pelo exército. Em 1974, foi traído por um camponês local, Arlindo Piauí, que teria entregado Osvaldão às Forças Armadas. As versões divergem: ele pode ter morrido nas mãos do próprio Piauí ou ter sido preso e posteriormente fuzilado. Conta-se que, uma vez morto, seu corpo mutilado teria sido exibido como troféu em várias localidades da região, com o objetivo de extinguir qualquer vestígio do mito que já se tornara.

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