Memórias da Ditadura

Pauline Reichstul

Pauline Reichstul nasceu em Praga, localizada hoje na República Tcheca, filha de judeus poloneses sobreviventes da Segunda Guerra Mundial. Com 18 meses, mudou-se com seus pais para Paris e, em 1955, aos oito anos, eles chegaram ao Brasil.

Mais tarde, passaram temporadas em Israel, França e Dinamarca, até fixarem residência na Suíça. Na Europa, Pauline manteve contato com militantes brasileiros e trabalhou para divulgar as violações de direitos humanos cometidas pelo regime militar. Voltou ao Brasil e entrou para a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), na qual também militava seu companheiro, Ladislau Dowbor, quem havia conhecido antes mesmo de ir para Israel.

Em janeiro de 1973, a militante foi assassinada brutalmente com outros cinco de seus companheiros da VPR, em Paulista, na Grande Recife (PE), num episódio conhecido como o Massacre da Chácara São Bento, considerado pelo jornalista Elio Gaspari, em “A ditadura escancarada”, “uma das maiores e mais cruéis chacinas da ditadura”.

As forças da repressão, chefiadas por Sérgio Fleury, teriam conseguido obter informações sobre a localização dos militantes graças aos serviços de Cabo Anselmo, militar que se infiltrou na VPR e, inclusive, mantinha uma relacionamento com Soledad Barrett Viedma, uma das vítimas da chacina que na ocasião estava grávida de um filho dele.

Segundo a versão oficial, os militantes foram mortos numa troca de tiros na chácara. Gaspari aponta, no entanto, que eles foram capturados, levados até a chácara e então teriam sido torturados e mortos. Foram encontrados 26 tiros nos corpos dos militantes, sendo 14 na região da cabeça. Outro agente repressor que teria participado do massacre é Carlos Alberto Augusto, codinome “Carlinhos Metralha”, que até recentemente era delegado na cidade de Itatiba (SP).

O irmão de Pauline, Henri Reichstul, que também foi militante da VPR, fundou um instituto com seu nome na cidade de Belo Horizonte com o dinheiro que recebeu da indenização concedida pelo Estado.

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Vídeo feito pelo Jornal do Commercio aos 40 anos da chacina

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