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Maita

Quando a gente era pequeno

Quando a gente era pequeno, ia muito ao Ibirapuera. Éramos 6 filhos. Todas as famílias costumavam ter assim muitos filhos. E a gente ia levando ainda primos, vizinhos, e mais os papagaios pra empinar, bola pro futebol, todos e tudo dentro do fusquinha. Era uma algazarra. Minha mãe tinha muita paciência, hoje vejo. Quando foi uma vez, acho que lá por 1967, 68 – pois estávamos todos recém alfabetizados com aquela mania de ler todas as letras do caminho – passamos pelo Peg-pag, um dos primeiros supermercados que surgiram. Era ali na avenida São Gabriel, esquina com a Joaquim Floriano, no Itaim Bibi. Isso foi antes dos prédios, das ruas transversais calçadas, acho até que antes do túnel que fizeram pra entrar na av. Santo Amaro. Nesse dia apareceu no paredão lateral do supermercado, pixado em letras grandes e pretas, “abaixo a ditadura”. Lemos, alguém leu isso dentro do carro. Não entendemos o que aquelas palavras diziam. Mas logo traduzimos para “abaixo a dentadura” e caímos na risada. Repetíamos o “abaixo a dentadura” e ríamos. Surpreendentemente minha mãe pediu pra gente parar. Foi um estranhamento geral. Por que não podíamos rir daquilo? O que aquilo queria dizer? O que a gente tinha feito de errado? Ela não respondeu direito, só pediu pra gente mudar de assunto (ou foi ela que mudou de assunto e aquilo ficou interrompido).

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