Teatro e cinema

Período
1964-1978

Tem como objetivo trabalhar a contraposição entre a produção cultural nas áreas do cinema e do teatro e o regime de censura e opressão que se instalou a partir do golpe de 1964.
Apesar de o período ser marcado pela censura, as décadas de 1960, 1970 e 1980 foram muito produtivas, especialmente na criação de textos teatrais e cinematográficos; textos que propunham não apenas novas estéticas (“teatro do oprimido”, “estética da fome”, entre outras), mas também novas abordagens, com protagonistas que emergiam das classes operária, camponesa, estudantil e dos movimentos políticos de esquerda.
Os textos teatrais e as produções cinematográficas deram visibilidade a questões polêmicas do Brasil urbano e rural, como greves operárias e movimento sindical, reforma agrária e ligas camponesas.
O objetivo não é esgotar o estudo sobre as produções teatrais e cinematográficas da época, mas conhecer algumas delas e refletir sobre as obras que deram visibilidade aos brasileiros desprivilegiados. Isto é, destacar os novos protagonistas do teatro e do cinema, evidenciando o incômodo causado à censura do período da ditadura civil-militar, pois eles revelavam outro Brasil, que incomodava as elites tradicionais.
Driblando a censura, autores e atores se engajaram na luta contra a opressão e pela liberdade de manifestar opiniões divergentes ao regime ditatorial. O paradoxo entre repressão e produção cultural engajada é o foco da atividade a seguir.

Orientações gerais
Para o trabalho com imagens (fotografias ou cinema), é fundamental que sejam criadas as condições para que os estudantes possam analisar as imagens e assistir aos vídeos, anteriormente ou durante o desenvolvimento da proposta.
Os filmes são fontes históricas, portanto, devem ser contextualizados do mesmo modo que os textos escritos: contexto de produção, autoria, tema e linguagem.

Produto final: Produção de texto-síntese e criação de vídeo-aula sobre a produção cultural (cinema e teatro) durante o regime da ditadura civil-militar.

Para o professor

Leitura sugerida
Sobre o cinema no período da ditadura civil-militar, recomendamos a leitura do artigo de Leonor Souza Pinto.


Etapas
1. Contexto paradoxal
Para começar, solicite aos alunos que leiam o texto introdutório de Arte e Cultura no portal Memórias da Ditadura. A leitura apresenta o contexto relacionado ao trabalho que propomos, entre 1960 e 1980, destacando a contradição entre o regime repressor e a ampla produção cultural engajada na crítica ao regime militar.
Solicite aos alunos que façam um fichamento do texto, informando sobre as produções nas áreas do cinema e do teatro, durante o período ditatorial. É importante que façam marcas no texto durante a leitura, o que facilita a localização e a seleção das informações a serem extraídas do material.

2. Teatro
Sobre a produção teatral da época, os alunos conhecerão alguns grupos teatrais que se destacaram, bem como seus autores, diretores e atores, propostas e textos.
Para começar, assista com os alunos a um trecho do espetáculo Opinião, dirigido por Augusto Boal e produzido pelo Teatro de Arena.
Após a exibição, discuta com os alunos suas impressões iniciais sobre o tema abordado e a estética da peça. É um momento de aproximação com a produção teatral da época.
A seguir, proponha aos alunos a leitura do texto “Teatro” presente no portal, na parte de Arte e Cultura. Eles devem sistematizar as informações sobre os grupos teatrais, as peças produzidas, diretores e atores, temas abordados etc.
Para aprofundar a discussão sobre o espetáculo que assistiram em vídeo (Opinião), podem ainda ler o texto sobre o Teatro de Arena, presente no portal Memórias da Ditadura, sobre o diretor Augusto Boal e sua proposta do Teatro do Oprimido.
Para ampliar a discussão sobre a produção teatral, solicite aos alunos para lerem sobre a peça Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri. Podem também assistir entrevista com Guarnieri sobre a peça.
Após a leitura, eles devem organizar uma sinopse sobre a peça, contextualizando sua produção, apresentando o autor, descrevendo o tema da peça, com seus personagens (protagonistas e antagonistas) e contexto abordado.
Solicite aos alunos que elaborem um comentário sobre a produção teatral da época, a partir dos textos estudados, destacando os novos protagonistas das histórias sobre o Brasil do período e quais os conflitos revelados por eles.

3. Cinema
Nesta etapa da atividade, proponha aos alunos o trabalho com a produção cinematográfica da época, iniciando com a leitura de texto sobre o Cinema Novo, em especial sobre a vida e obra de Glauber Rocha. Esse cineasta foi um dos grandes destaques do cinema brasileiro nas décadas de 1960 e 1970.
Expoente do cinema autoral, cuja estética era marcada por “uma linguagem despojada e adequada à realidade social desse período, marcada pelo subdesenvolvimento”, Glauber expôs nas telas os graves problemas do sertão nordestino.
Ele rompeu com um enfoque acostumado a privilegiar o exotismo do Brasil tropical e expôs ambientes que antes estavam escondidos do grande público, locais que até então não eram incluídos na caracterização do país – o sertão, o morro, a rua, a favela.
Mais do que trazer à cena novos locais e personagens – “patifes, soldados, favelados, crianças no mundo do crime e deputados” – Glauber revelou o subdesenvolvimento brasileiro, contrariando um discurso de crescimento e modernização divulgado pelo governo civil-militar.
Esses filmes ficaram conhecidos pelo lema “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” e buscavam refletir sobre o contexto brasileiro e revelar suas mazelas históricas.
Sugira aos alunos assistirem ao filme Deus e o diabo na terra do sol, que aborda a condição do sertanejo e a exploração das elites latifundiárias do Nordeste brasileiro.
A “estética da fome” marcava o Cinema Novo, com produção barata, que privilegiava “os deslocamentos lentos e escassos da câmera, os ambientes desprovidos de luxo, o destaque conferido aos diálogos, personagens principais dos filmes, muitos deles filmados em preto e branco”; nada que mascarasse ou alienasse o espectador, a linguagem revelava também o atraso do Brasil nos seus rincões esquecidos.
Solicite aos alunos que elaborem uma sinopse do filme, destacando: o enredo, os protagonistas, o conflito principal e o contexto da história; bem como um comentário crítico sobre o filme, sua estética e o impacto causado na época da ditadura com sua exibição e premiação.
A seguir, proponha aos alunos a discussão sobre o trabalho de outro diretor da época, Eduardo Coutinho, com a exibição do documentário Cabra marcado para morrer. O filme começou a ser produzido no período ditatorial, mas foi interrompido e finalizado somente após a abertura política.
Ao assistirem ao documentário na íntegra, solicite aos alunos que produzam uma ficha sobre o filme, com os dados básicos: nome, ano de produção, diretor, atores/personagens, local da história, sinopse.
Após conhecerem o filme, os alunos devem entrar em contato com aspectos históricos relacionados ao diretor, ao protagonista e à produção do filme. Para isso, divida os alunos em grupos, sendo que cada um tratará de um aspecto:

Entrevista com o diretor do filme;
Parecer da censura sobre o filme;
Depoimentos sobre o protagonista do filme.

Após trabalharem o material, organize uma apresentação oral com as informações coletadas com a classe.
Eles devem atentar para: a experiência do diretor e sua proposta de cinema; os dados do parecer da censura, com argumentos e opiniões sobre o filme; a biografia de João Pedro Teixeira e seu legado para o movimento político no campo.
Para finalizar a reflexão sobre o cinema nacional do período estudado, solicite aos alunos que, em grupos, apresentem seminários sobre o que leram e viram, enfocando os autores e suas obras, as estéticas e as linguagens, os temas e os enfoques autorais, e a reação da censura. A apresentação oral pode usar: imagens da época, trechos dos vídeos, reprodução de documentos.

4. Finalização
Para concluir o trabalho, solicite aos estudantes que produzam, em grupos, uma vídeo-aula de 10 minutos, seguindo as propostas do Teatro do Oprimido e “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”. O tema do vídeo é a situação atual de brasileiros desprivilegiados, no campo ou na cidade, com uma reflexão sobre seus olhares acerca dos direitos dos cidadãos na sociedade contemporânea, com as conquistas sociais e políticas ou a permanência dos conflitos históricos.