o movimento do Cinema Novo

Estética da fome

O princípio norteador do movimento era a “estética da fome“, título de um famoso manifesto escrito por Glauber Rocha, grande mentor do Cinema Novo, em 1965. O manifesto, diagnosticando a situação do cinema brasileiro e latino-americano, diz: “Nem o latino comunica sua verdadeira miséria ao homem civilizado nem o homem civilizado compreende verdadeiramente a miséria do latino, [por isso somos] contra os exotismos formais que vulgarizam os problemas sociais“.

Em seguida, Glauber defendia a idéia de que a “fome” era o nervo da sociedade subdesenvolvida, denunciando um tipo de cinema que ora escondia, ora estilizava a miséria e a fome. Para ele, só o Cinema Novo soube captar essa fome, na forma de imagens sujas, agressivas, toscas, cheias de violência simbólica: “O que fez o Cinema Novo um fenômeno de importância internacional foi justamente o seu alto nível de compromisso com a verdade; foi seu próprio miserabilismo, antes escrito pela literatura de 30 e agora fotografado pelo cinema de 60“.

Mais adiante o manifesto diz que a fome, ao se transformar em problema político, nega tanto a visão do estrangeiro, que a vê como “surrealismo tropical”, quanto a visão do brasileiro, que a entende como uma “vergonha nacional”. A solução estética e política se encontrava, num trecho bem ao estilo do terceiro-mundismo dos anos 1960: “A mais nobre manifestação cultural da fome é a violência (…) o Cinema Novo, no campo internacional, nada pediu, impôs-se pela violência de suas imagens (…) pois através da violência o colonizador pode compreender, pelo horror, a força da cultura que ele explora“.

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