Desaparecido

Em 1972, o governo teve que enfrentar a “crise dos desaparecidos”. Foi quando o desaparecimento de militantes começou a ser amplamente divulgado no exterior e passou a mobilizar de maneira mais sistemática as famílias envolvidas.

Antes das eleições legislativas de 1974, o MDB assumiu o tema dos desaparecidos, que explodiu para o debate público no começo do governo Geisel. Em julho de 1974, o MDB interpelou o governo sobre o tema, ameaçando convocar o ministro da Justiça, Armando Falcão para depor no Congresso.

O tema dos “desaparecidos” incomodava a opinião pública, mesmo aquela que era contrária ao marxismo e avessa à revolução. Os liberais viviam uma contradição, perceptível nas páginas da imprensa desde 1968: pediam rigor no combate ao “terrorismo de esquerda”, mas, quando o governo os atendia com todos os meios próprios de uma ditadura, assustavam-se com os efeitos diretos e indiretos da repressão, ou seja, a vigilância generalizada e a censura.

Dos 169 militantes desaparecidos no Brasil, 53 ocorrências foram no ano de 1974, boa parte após a posse de Geisel. Assim como não reconhecia a existência de torturas e execuções extrajudiciais, o governo continuou não reconhecendo qualquer responsabilidade na questão dos desaparecidos, culpando eles próprios e suas organizações. Com isso, o governo se livrava de dar qualquer satisfação à sociedade.

Em agosto de 1974, depois da posse do presidente Ernesto Geisel, Dom Paulo Evaristo Arns entregou a relação de 27 desaparecidos ao governo, 21 deles ocorridos a partir da posse do novo presidente que prometia distensão. O ministro da Justiça Armando Falcão foi à TV dar a versão do governo: dos 27 desaparecidos cobrados pela oposição, constavam 6 foragidos, 7 colocados em liberdade, 5 com destino ignorado, 1 morto na Bolívia, 1 banido, 2 ainda na clandestinidade e 1 refugiado na Tchecoslováquia. Não foi encontrada explicação, ainda que fantasiosa, para 4 nomes.

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