Eunice Paiva

Símbolo da luta contra a ditadura militar, Eunice Paiva teve papel central na busca por informações sobre o paradeiro de seu marido, o deputado Rubens Paiva, desaparecido político depois de ter sido preso, torturado e assassinado nos porões do DOI-CODI no Rio de Janeiro em janeiro de 1971.

Na mesma ocasião, Eunice foi presa junto à filha Eliana, então com 15 anos, e levada também às dependências do DOI-CODI carioca. Eliana permaneceu presa por 24 horas no local, Eunice por 12 dias, sendo interrogada. Após a libertação, passou a exigir a verdade sobre o marido, e com a informação de que ele havia sido assassinado, reivindicou o reconhecimento de sua morte e a revelação de onde o corpo estaria enterrado (o que jamais descobriu) para que lhe pudesse prestar as honrarias fúnebres.

Eunice cresceu no bairro do Brás, em São Paulo, em uma família de origem italiana. Desde cedo, cultivou o gosto pela leitura. Culta, brigou com o pai pelo direito de estudar e passou em primeiro lugar no vestibular para Letras na tradicional universidade Mackenzie, aos 18 anos. Foi amiga de grandes escritores, como Lygia Fagundes Telles, Antonio Callado e Haroldo de Campos.

Depois da viuvez, em 1973, ingressou na faculdade de Direito. Conciliava a vida de mãe e de pai de cinco filhos com a rotina estudantil. Tornou-se advogada respeitada e se engajou em lutas sociais e políticas. Eunice combateu a política indigenista do regime até o final da ditadura e tornou-se uma das poucas especialistas em direito indígena do país.

Em 1987, ao lado de outros parceiros, fundou o Instituto de Antropologia e Meio Ambiente (IAMA), ONG que atuou até 2001 na defesa e autonomia dos povos indígenas. Em 1988, foi consultora da Assembleia Nacional Constituinte, que promulgou a Constituição Federal brasileira.

Foi uma das principais forças de pressão que culminou com a promulgação da Lei 9.140/95, que reconhece como mortas as pessoas desaparecidas em razão de participação em atividades políticas durante a ditadura militar. Em 1996, após 25 anos de luta por memória, verdade e justiça, Eunice conseguiu que o Estado brasileiro emitisse oficialmente o atestado de óbito de Rubens Paiva.

Faleceu aos 86 anos no dia 13 de dezembro de 2018, em São Paulo. Ela convivia há 14 anos com Alzheimer.

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