Adélia Prates

“Como pode a criançada estudar sem comer nada? / Como poderei viver noite e dia com a panela vazia?” Esse era o canto de Adélia e muitas outras mulheres que, como ela, iam até a Praça da Sé nos anos 1970 protestar no Movimento Contra Carestia. Moradora do Grajaú, zona sul de São Paulo, ela narra como esteve envolvida ativamente nas lutas por direitos e melhorias para a região. 

Adélia nasceu em Valparaíso-SP mas, como seus pais se separaram quando era criança, precisou ir para a Bahia. Lá precisou trabalhar como doméstica na infância, passando por diversas situações de exploração. Aos 19 anos, veio para SP e trabalhou de cozinheira, morando nas residências das patroas. Nessa época, conseguiu estudar. Mais tarde, ela se casou e comprou um terreno no Grajaú, zona sul de SP, em um período no qual a região era considerada zona rural. Entre os anos 70 e 80 as mulheres da região, junto com a igreja católica, se articularam para lutar pela infraestrutura do local, tendo Adélia sempre à frente desses movimentos. Ela travou diversas lutas com o poder público em um período em que a ditadura militar empreendia perseguições e mortes dos que se contrapunham a ele. Mesmo assim, essas mulheres conseguiram resolver diversas pautas. Após a ditadura, ela se tornou conselheira tutelar, diretora do SINDSEP e se aposentou como funcionária pública. Atualmente segue envolvida nas lutas pela saúde e pelo seu país, o bairro do Grajaú.

Para conhecer essa história completa, acesse: https://acervo.museudapessoa.org/pt/conteudo/historia/nao-tinha-medo-vergonha-nada-208746/colecao/208523

Créditos: Alisson da Paz e Luis Ludmer

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Esta iniciativa busca fortalecer a consciência democrática da sociedade brasileira, e foi viabilizada através do projeto “Cotidianos Invisíveis da Ditadura” – 6074.2021/0007181-2, relacionado ao termo de fomento Nº TFM/083 /2021/SMDHC/DEDH, por meio da Secretaria de Direitos Humanos do Município de São Paulo, com a realização do Museu da Pessoa e do Instituto Vladimir Herzog: https://acervo.museudapessoa.org/pt/conteudo/colecao/cotidianos-invisiveis-da-ditadura-208523

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