João Goulart

João Belchior Marques Goulart, conhecido também pelo apelido de Jango, foi presidente do Brasil entre os anos de 1961 e 1964, quando foi deposto pelo Golpe Militar de 1964. João Goulart nasceu na cidade gaúcha de São Borja, em 1º de março de 1919, e faleceu na cidade argentina de Mercedes, em 6 de dezembro de 1976.

O primeiro cargo público da carreira de Jango, que entrou para a vida política com o suporte de Getúlio Vargas, foi como deputado federal, em 1950. Depois, foi ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, no segundo governo de Vargas, quando promoveu um aumento do salário mínimo em 100%. Jango foi eleito vice-presidente da República duas vezes, a primeira, de JK, em 1955, a segunda, em 1960, de Jânio Quadros.

Quando Jânio renunciou, em 1961, Jango deveria assumir o governo, mas os partidos de oposição e setores das Forças Armadas tentaram impedir sua posse. Leonel Brizola, que era governador do Rio Grande do Sul, liderou a Campanha da Legalidade, para garantir que, na ausência do presidente, o cargo deveria ser ocupado por seu vice. Adotou-se, então, o sistema de governo parlamentarista, por meio do qual o poder do presidente estaria limitado (em janeiro de 1963, um plebiscito decidiu pela volta do presidencialismo).

João Goulart tomou posse em 7 de setembro de 1961, com a defesa das chamadas reformas de base, que incluíam reforma agrária, tributária, administrativa, bancária e educacional. Em março de 1964, durante um comício na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, no qual havia mais de 300 mil pessoas, Jango anunciou o início às reformas de base. A reação da oposição foi imediata: dias depois ocorreu a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Em 31 de março, os militares, com o apoio dos Estados Unidos, deram início a um golpe de Estado.

O presidente refugiou-se no Rio Grande do Sul, de onde seguiu para o exílio no Uruguai e Argentina, onde faleceu aos 57 anos, num suposto ataque do coração, em dezembro de 1976. A família de Jango contesta a versão oficial e acredita que ele possa ter sido envenenado, vítima de um assassinato político como parte da chamada “Operação Condor” (uma aliança entre as ditaduras do Cone Sul nos anos 1970 para perseguir os opositores dos regimes militares da região). O processo de exumação de Jango teve início ainda em 2007, quando a família do ex-presidente deposto pelos militares pediu ao MPF a reabertura das investigações.

Em 2011, o pedido foi estendido à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Em novembro de 2013, quase 37 anos depois de sua morte, foi realizada a exumação dos restos mortais de Jango, em São Borja, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Peritos da Polícia Federal e peritos estrangeiros transportaram o corpo do ex-presidente para a sede do Instituto Nacional de Criminalística (INC), em Brasília. O corpo de Jango ficou aproximadamente um mês na capital federal para coleta de amostras. Ele foi novamente enterrado no início de dezembro do ano passado, com honras de chefe de Estado.

A exumação do ex-presidente João Goulart já entrou na fase de identificação das chamadas causas mortis. Desde 26 de fevereiro, conforme informações da Polícia Federal, as amostras foram encaminhadas para os institutos de identificação que estão realizando as perícias e análises sobre os reais motivos do falecimento do ex-presidente.

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  • “Os indícios são os mais variados. Nós temos depoimentos de agentes secretos do Uruguai, nós temos documentos do próprio Serviço Nacional de Inteligência falando que colocaram agentes dentro da nossa casa para subtrair documentos. Então, eu pergunto se ele, nesses relatórios, disse que clandestinamente esteve no quarto de meu pai para fazer isso, claramente ele pode ter mudado um comprimido.”, João Vicente Goulart, filho de Jango.

  • “No exílio, meu pai não podia ficar dois dias no mesmo lugar. Como eu tinha que estudar, ficávamos separados. Era um dia a dia de perseguições.”, João Vicente Goulart.

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