Rubens Paiva

Rubens Paiva iniciou sua vida política no movimento estudantil. Cursou engenharia na Universidade Mackenzie, em São Paulo, foi presidente do Centro Acadêmico e vice-presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo. Em 1962, foi eleito deputado federal pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Na madrugada do dia 1º de abril de 1964, fez um discurso convocando os estudantes e sindicalistas a resistirem ao golpe militar, em favor do presidente deposto, João Goulart. Imediatamente, teve seu mandato cassado.

Nessa ocasião, Paiva se exilou na antiga Iugoslávia, hoje Sérvia, e depois na França. Voltou ao Brasil em 1965 e deixou São Paulo, rumo ao Rio de Janeiro, com sua família. O engenheiro, porém, sempre manteve contato com os exilados.

Em 20 de janeiro de 1971, a casa da família Paiva foi invadida por seis militares e ele foi preso. O episódio é contado por seu filho caçula, o escritor Marcelo Rubens Paiva, no livro “Feliz Ano Velho”.

Paiva saiu de sua casa guiando o próprio carro, fato que permitiu à família provar que o ex-deputado havia sido preso, o que era negado pelos órgãos de repressão. Dias após sua prisão, uma irmã foi buscar seu carro no quartel e na ocasião recebeu um comprovante com o carimbo do Exército. Eunice, sua esposa, também foi detida juntamente com uma das filhas do casal, Eliana, com 15 anos, solta um dia depois. Eunice foi interrogada, permanecendo incomunicável durante doze dias.

Rubens Paiva foi transferido para o DOI-Codi, onde teria sido torturado até a morte. Os órgãos se segurança afirmavam que Paiva foi abordado e sequestrado por desconhecidos, dois dias depois da sua prisão. Em março de 2014, o coronel reformado Paulo Malhães, em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, confirmou que Paiva foi torturado até a morte e depois teve seu corpo jogado em um rio na região serrana do Rio de Janeiro.

O coronel Reynaldo Campos contou em declaração ao Ministério Público Federal (MPF) como foi a montagem, pelo Exército, da simulação de fuga de Paiva. Em maio de 2014, o MPF do Rio entrou com uma ação contra cinco militares envolvidos no caso. Malhães foi encontrado morto em sua casa, em abril, um mês após seu depoimento à Comissão da Verdade.

Matéria da TV Brasil sobre investigação do caso Rubens Paiva