Cabra marcado para morrer

Eduardo Coutinho pretendia contar a história da vida e morte do lavrador João Pedro Teixeira, um dos fundadores da Liga Camponesa de Sapé (PB), morto em 2 de abril de 1962 a mando de latifundiários. As filmagens, iniciadas em 1964, aconteceram no engenho Galileia, no município de Vitória de Santo Antão, em Pernambuco, mas o projeto foi interrompido quando as gravações e equipamentos foram apreendidos por uma tropa do Exército. Dezessete anos depois, Coutinho volta a Pernambuco com outra ideia: reencontrar os camponeses que participaram das gravações para que, revendo as imagens do passado, elaborem os sentidos de suas experiências. De lá Coutinho vai para o município de São Rafael, no Rio Grande do Norte, onde encontra Elizabeth Teixeira, viúva de João Pedro e sua companheira de militância. Ela, que chegou a ser presa e temendo novas perseguições, vive com outro nome e apenas um de seus 11 filhos. Em três dias de encontros com Coutinho, a mulher amedrontada se encontra e se reconcilia com sua identidade, suas escolhas, suas raízes.

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