Arte efêmera, urbana e provocadora – Em 1970, artistas de todo o país participaram dos eventos simultâneos e integrados que formaram o movimento “Do Corpo à Terra” em Belo Horizonte (MG): a mostra “Objeto e Participação”, no Palácio das Artes, e a manifestação “Do Corpo à Terra”, no Parque Municipal. As mostras romperam com os padrões expositivos ao convidar os artistas a criarem suas obras no local, muitas delas ao ar livre e com caráter efêmero, já que os trabalhos feitos no parque permaneceram lá até sua destruição.
O acontecimento foi definido pelo curador Frederico Morais como uma forma de arte-guerrilha: “O artista hoje é uma espécie de guerrilheiro. A arte é uma forma de emboscada. Atuando imprevisivelmente, onde e quando é menos esperado, o artista cria um estado permanente de tensão constante”, portanto o artista age aqui como provocador no espaço público. As obras questionavam a violência do regime, os limites da arte e de sua exposição, bem como o papel do espectador. Esse movimento foi decisivo para afirmar a arte brasileira como transgressão e resistência simbólica.