A América Latina é constantemente marcada por conflitos políticos e sociais entre setores conservadores e progressistas. Desde 1920 há partidos comunistas espalhados pelo continente. Eles procuravam se aliar a outros setores nacionalistas e reformistas, na luta por independência econômica e contra a pobreza que assolava o continente. Os Estados Unidos, sobretudo a partir dos anos 1940, se tornaram a potência mais influente na região, e até o começo dos anos 1960 não tinham sido confrontados seriamente por nenhum governo latino-americano.
Apesar disso, o anticomunismo e a segurança regional se tornaram mais importantes que a democracia. Não apenas os comunistas eram reprimidos, mas todos os grupos e movimentos mais à esquerda. Os Estados Unidos apoiaram golpes de Estado contra governos eleitos pelo voto, pressionaram os governos amigos a reprimir movimentos sociais e sindicatos e a declarar ilegais os partidos comunistas. No Brasil, por exemplo, o Partido Comunista foi proibido em maio de 1947.
Até o final dos anos 1950, a América Latina não era fonte de grandes preocupações para os Estados Unidos, já que os conflitos com os comunistas na Europa e na Ásia eram mais graves. Naquela década, muitos países latino-americanos, como Argentina, Brasil e México, iniciavam uma luta pela industrialização e pela nacionalização da economia. Esse projeto, conhecido como nacional-desenvolvimentismo, entrava em conflito com os setores mais conservadores, ligados à economia agroexportadora, e aos setores que importavam bens industrializados dos EUA e da Europa.
No Brasil, desde o começo dos anos 1950, com a volta de Getúlio Vargas ao poder pelo voto popular, a luta pela nacionalização da economia e pela industrialização foi o centro de uma grande disputa política e ideológica. O Partido Comunista Brasileiro (PCB), a partir da segunda metade dos anos 1950, se tornou aliado do nacional-desenvolvimentismo como forma de superar a influência estadunidense na região, procurando fazer alianças com os setores nacionalistas.
A Guerra Fria, que já dividia o mundo desde o final dos anos 1940, ainda não havia chegado pra valer na América Latina, o que começou a mudar com o sucesso da Revolução Cubana, em 1959, que deixou o governo dos Estados Unidos em alerta. A ousadia da pequena ilha caribenha de desafiar os interesses estadunidenses e se aliar aos soviéticos a partir de 1961, como parte da sua virada para o socialismo, mudou todo o panorama geopolítico do continente.